Como Nini Satar se relacionava com as autoridades policias

Como Nini Satar se relacionava com as autoridades policias

Para se compreender parcialmente Nini Satar, o Centro de Jornalismo Investigativo partilha com os seus leitores o “Dossier” por ele produzido há poucos anos, onde se pode ver a vasta correspondencia que ele enviou a várias unidades da Policia moçambicana.

Vedeta precoce

Celebrizou-se cedo, o jovem Nini Satar, pelo enorme poderio financeiro. Ele e família certas correntes do sistema atribuíram a “genialidade” – com Vicente Ramaya, entãogerente de uma filial do BCM – terem orquestrado o maior golpe financeiro de que há conhecimento na banca moçambicana: o desfalque de 144 biliões de meticais retirados no fim da década de 90, do “defunto” Banco Comercial de Moçambique (BCM).

A opulência que caracterizou Nini Satar, numa sociedade carente de valores, fez com que milhares de jovens aspirassem ao seu status-quo: dinheiro, bons carros e as melhores namoradas.

Quando o “caso BCM” despoletou no “Metical”, os Satares, pais e irmãos de Nini abalaram de Moçambique. Nini Satar regressa mais tarde ao País e foi preventivamente detido. Posteriormente em liberdade, pois o “caso BCM” sempre teve as peças do puzzle ora de cabeça para cima, ora de cabeça para baixo, Satar volta àsparangonas com uma exposição de Carlos Cardoso, publicada no extinto Meticalintitulada “Métodos Satar”.

O artigo, na íntegra, publicava escutas telefónicas que a família Satar fizera à família Magid, dos proprietários do Bazar Central. Na história do Metical se revelava como foi feita a pressão sobre os Bazar, num clássico de agiotagem sem precedentes emMoçambique.

A 22 de Novembro de 2000, Cardoso acabaria brutalmente assassinado. Mas seria em Abril de 2001, que Nini Satar iria parar à Cadeia da Machava, vulgo B.O.

Antes do julgamento presidido pelo juiz Augusto Paulino, – mais tarde investido nas funções de Procurador-Geral da República (PGR) – , Nini levantou contra este um “incidente de suspeição do juiz”.

Num acto apenas comparado com os filmes de ficção, conseguiu obter, mesmo dointerior da cadeia, os files telefónicos de alguns intervenientes do “caso Cardoso”, que se comunicavam com o juiz antes do julgamento e remete a queixa, com os anexos apensos a denúncia, ao Tribunal Supremo (TS), onde fundamentava que o “juiz não era idóneo”, concluindo, ele Nini, que à partidaele seria condenado porque o jogo já estava viciado.

O TS indeferiu os documentos alegando que os mesmos entraram com um dia de atraso. Nini Satar teve que pedir desculpas ao juiz Paulino, por via do seu então advogado,Eduardo Jorge.

Finalmente, chegou o julgamento, o primeiro televisionado em directo para o país inteiro. Até hoje o único. Durante o julgamento, em algumas sessões, foram apresentadostelemóveis que Nini Satar, alegadamente, usava para se comunicar com o exterior. Mas esta prática de telemóveis nas celas não tem Nini Satar como o único precursor. É prática rotineira de reclusos de várias penitenciárias deste país comunicarem-se com o exterior.

Já durante o julgamento do “caso BCM” – em que Nini também foi réu – alguns declarantesdisseram ao juiz que nas vésperas das suas audições Nini Satar os tinha contactado, telefonicamente, aliciando-os para que depusessem ao seu favor. O juiz do “caso BCM”, Ashirafo Aboobacar, chegou a apelar a quem de direito para que se instalassem “telefones públicos” no pátio da cadeia da B.O, onde aliás estava a decorrer aquele julgamento.

Baixe gratuitamente o “Dossier” aqui no CJI

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