Os excessos dos rebentos presidênciais nos consulados da II República

Os excessos dos rebentos presidênciais nos consulados da II República

Os excessos dos rebentos presidênciais nos consulados da II República Por Aunicio da Silva, Estácios Valoi e Luís Nhachote Com a instauração da

Os excessos dos rebentos presidênciais nos consulados da II República

Por Aunicio da Silva, Estácios Valoi e Luís Nhachote

Com a instauração da democracia multipartidária em Moçambique, na II República, depois do totalitarismo do Estado que caracterizou a governação da Frelimo, com Samora Machel à testa desse regime, parece ter sido instalado um “Software maligno” em parte da geneologia dos rebentos presidênciais dos sucessores do Marechal que se manifestaram – e ainda se manifestam – desde os consulados de Joaquim Chissano (18 anos), Armando Guebuza (10 anos) e, agora com Filipe Nyusi (No 4 ano do primeiro mandato).

Intra e extra-murros, os excessos desses rebentos fomentam o incremento de espanto em vários quadrantes, pairando no ar a ideia de que os progenitores daqueles, enquanto mais alto magistrados da Nação, se demitiram da continuidade do processo de chamada de atenção educacional destes e, o resultado são os desacatos e a arrogância soberba com que se comportam na sociedade contemporrânea. É como se o poder dos progenitores lhes fosse hereditariamente transmitidos….

O Centro de jornalismo Investigativo (CJI) em jeito de refrescamento da memória colectiva dos seus leitores, trás hoje alguns episódios destes consulados que têm estado a ser escritos pelos filhos, com nódoas cinzentas, no melhor dos panos brancos de linho e algodão do poder…

 

 

Do inicio dos excessos no consulado de Chissano

 

Joaquim Chissano ficou o ceptro da governação do país, em substituição de Samora Machel que tombou fatalmente a bordo do Tupolev Presidêncial nas colinas de Mbuzini, num acidente de viação em que pereceram mais 33 integrantes, todos eles oriundos de missão de Estado em Mbala, na Zâmbia.

A Frelimo ainda era partido único e, numa sessão do Comité Central, em Novembro de 1986, Joaquim Chissano foi entronizado pelos seus pares do “Bureau Politico” como presidente da República.

Casado com Marcelina Chissano, da etnia makonde que actualmente detêm as redéas do controle do Estado, Joaquim Chissano foi ministro dos Negócios Estrangeiros desde no primeiro governo de Samora Machel. Antes foi Primeiro ministro do Governo de Transição. Pai de quatro filhos, nomeadamente Nyimpine Chissano, N´naite Chissano, Martina Chissano e Rosa Chissano, o seu primogénito entretanto falecido prematuramente em 2007, entrou nas parangonas da imprensa nacional por razões que acabaram por ter o seu progenitor no epicentro, graças a uma declaração pública desde: “O meu filho é um empresário de sucesso” teria dito Chissano quando questionado sobre a profusão em espiral dos negócios do seu finado primogénito.

Essa profussão de negócios em espiral do filho, levou o seu rebento a firmar parceria empresarial com Teeren Apassamy, um “empresário” das Mauricias que esteve no epicentro de um escandalo financeiro daquela ilha no Indico ao que tudo indica sem uma prévia “Due Dilligence” sobre o “CV” do parceiro, que mais tarde veio se a saber ser foragido da justiça da sua terra natal!

A 17 de Março de 2001, o semanário Expresso que se edita em Lisboa, dava estampa uma materia intitulada: “Os filhos rebeldes do Senhor Presidente”. Assinada pelo jornalista Marcelo Mosse, então correspondente em Maputo, o artigo dava conta que os filhos do presidente .“..chamam a atenção da sociedade por causa das suas atitudes violentas, enriquecimento rápido e alegado envolvimento em negócios obscuros.” Adiantava a materia que “Com a detenção de Nhimpine, supostamente por posse de cocaína, na África do Sul, … essa fama ultrapassou as fronteiras de Moçambique.”

Mas seria no Julgamento do jornalista Carlos Cardoso, em 2002 – que esta quarta-feira se celebram os 18 anos do seu assassinado – que o nome de Nyimpine Chissano viria a baila, por conta de conexões com o famigerado Nini Satar http://cjimoz.org/como-nini-satar-se-relacionava-com-as-autoridades-policias/que alegou que procederá a pagamentos ao lider do esquadrão que matou a tiros o jornalista.

Ficou-se a saber nesse julgamento que Anibal dos Santos Junior vulgo “Anibalzinho” teria sido pago para assassinar o jornalista a pedido do filho do então presidente, por Nini, que afirmou em Tribunal que como Nyimpine não tinha dinheiro no momento este teria lhe feito um adiatamento, pagando-lhe no entanto com um cheque pré-datado da empresa “Express Tours” de que era sócio.

Na condição de declarante arrolado nesse julgamento, Nyimpine Chissano, afirmou não ter nada haver com com o referido assassinato e disse alto e de viva voz que “não conheço este coitado, meritíssimo”, referindo-se a Carlitos Rachid o autor confesso das saraivadas de balas assassinas da AK47 que silenciaram à vida de um dos mais celebrados icones do jornalismo investigativo no país.

Nyimpine seria mais tarde constituido arguido num processo autonómo decorrente desse julgamento, mas tal acabou arquivado devido ao seu desaparecimento fisico e da outra figura no mesmo processo, a “empresária” Candida Cossa.

Os excessos presidênciais do rebento do estadista que mais noites dormiu no palácio da ponta Vermelha e ocupou mais vezes o escritório número 2000 da avenida Julius Nyerere, foi assunto corriqueiro e de deboche, tratando-se do facto do seu primogénito ter um pai com percursso de diplomata para chamar a um seu semelhante de “coitado”! Há que diga que esse foi o pecado do pai o ter consagrado, sem anuência de nenhum júri o epiteto de “empresário de sucesso”!!

 

Os Guebuza e a consagração presidencial

 

O antigo ministro do Interior de Samora Machel e o mais conhecido “comissário político” da Frelimo, Armando Emilio Guebuza, terá emprestado uma educação “um pouco mais rija e com menos mimos” aos seus filhos disse um coronel que trabalhou com Guebuza ao CJI.

Talvéz, por isso, os execessos dos rebentos da sua geneologia, tinham tido exposição diferente dos do seu antecessor em termos comportamentais na praça pública.

No entanto a veia empresarial de Armando Guebuza, com tentáculos em quase todas as esferas de actividade económica, tenha levado a sua prole a ser escrutinada publicamente, por ter sido envolvida em negocios chorudos com o Estado de que o pai era o funcionário número UM.

 

Quando Guebuza ascendeu ao poder, uma das primeiras medidas foi a sua entrada na estrutura accionista da Vodacom, através da Intelec Holding que realizou os cinco porcento das acções da Vodacom Moçambique.

Ao longo da década que dirigiu o país, Guebuza chamou a si a decisão sobre os principais negócios do Estado e onde houve oportunidade, tratou de capitalizar a Focus 21, a Holding da sua família. Numa clara imitação do modelo angolano do antigo presidente José Eduardo dos Santos, Guebuza entregou a liderança dos negócios da família à sua filha Valentina.

Depois do anúncio da entrega do projecto de digitalização da rádio e televisão em Moçambique ao grupo Startimes, este foi parar na Focus 21 e Valentina se tornou a PCA da empresa. A operação foi avaliada em 220 milhões de euros.

Sem concurso público, a entrega deste projecto à empresa liderada por Valentina Guebuza, foi amplamente criticada por vários actores das forças vivas da sociedade. Astuto, afastou antigos parceiros e capitalizou parcerias com multinacionais, fazendo da Focus 21 o centro onde gravitava todo o investimento estrangeiro em infraestruturas de logística.

Mas seria depois do final da sua chacelaria que os nomes dos filhos iriam ecoar, um pouco depois do escândalo da EMATUM rebentou, pouco tempo depois a imprensa internacional, principalmente os franceses, os ingleses e os norte-americanos informaram que o negócio não envolvia apenas barcos. Os jornais @verdade e Canal de Moçambique, num artigo co-assinado, ver aqui http://www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35-themadefundo/57974-a-divida-soberana-foi-um-negocio-da-familia-guebuza-oficiais-do-sise-mint-e-do-mdn, deram conta da existência de facturas “de compra de armamento que foram misturadas com os barcos para evitar questionamentos”.

“O que não se sabia até aqui é que quem esteve à frente do expediente da compra de armamento é o filho do ex-Presidente da República Armando Guebuza, Mussumbuluko Guebuza, conhecido como “Shushu” no seu círculo familiar. Através das suas duas empresas, a “Msumbiji Investiments” (usa a conta 44717836102 domiciliada no Standard Chartered Bank em Hong Kong) e a “Timabes AG” (registada no Liechtenstein onde é titular da conta 10.359180_0.100.USD no Valartis Bank), Mussumbuluko Guebuza importou uma considerável quantidade de armas num processo em que também está envolvido o director-geral do SISE, Gregório Leão, o então ministro do Interior, Alberto Mondlane, e ex-ministro da Defesa, Filipe Jacinto Nyusi.” Escreveram as publicações retromencionadas adiantando que “Uma das principais reuniões realizou-se em Maio 2014 nas instalações da “Israel Weapon Industries” (abreviadamente designada como IWI). Na referida reunião, Mussumbuluko Guebuza está acompanhado por um oficial superior do SISE, identificado pelo único nome de Agy, que foi indicado por Gregório Leão para acompanhar o filho do “Chefe” no processo. Após um breve teste do armamento, a IWI emitiu um certificado de qualificação em nome de Mussumbuluko Guebuza. Quem intermediou o contacto de Mussumbuluko e os israelitas é um cidadão da Bielorrússia identificado pelo nome de Alex que, de resto, participou em quase todo o processo.”

Nos dias finais do seu consulado, numa entrevista ao semanário Domingo, Armando Guebuza deixava uma afirmação que foi chamada para titulo da mesma: “Gostava de ser lembrado como amigo do povo”! Hoje Guebuza é celebrado por um grupo selecto e o facto de ter colocado os seus filhos como “consultores” de um negócio que se quis soberano, com todos requintes de ilegalidades faz com que aqueles que desejava ser lembrado como amigo o vejam como um vilão e responsavél principal do caos em que se encontra a economia nacional.

 

Os excessos da casa dos Nyusi do menino do “Instagram”…

 

Ainda na aurora da primavera do consulado do seus pai, Florindo se abeira de bater recordes em materia noticiosa, dentro e fora do pais, pelas piores razões.

Figura bastante popular na rede social Istagram, Florindo Nyusi continua em voga, não é pelos carros luxuosos e outras excetrecidades. O rebento de Nyusi já chegou a ser banido dos espaços do Automovel Touring Clube de Moçambique (ATCM), conforme atesta um comunicado de imprensa daquela instituição: “Boa Tarde, gostaríamos de informar que o Sr. FLORINDO, filho de Sua Excelência Presidente Nyusi, está PROIBIDO de entrar no recinto do autódromo do ATCM Moçambique, devido a sua conduta constante de INDISCIPLINA e falta de respeito com os trabalhadores do ATCM Moçambique! Sempre rodeado dos seus Seguranças acha que pode fazer o que lhe bem apetece. Não neste recinto, não é bem vindo no Local. Obrigado”, pode ler-se no comunicado divulgado no facebook, em 2016.

No inicio deste ano, Florindo mereceu estampa do semanário Canal de Moçambique depois desta publicação ter apurado que ele esteve envolvido em escarumuças com filhos do empresário Salimo Abdula, actual PCA da vodacom, que teve sua casa cercada por elementos da casa militar que fazem segurança de Florindo Nyusi, e alguns agentes da PIC queriam os dois filhos de Salimo Abdula, por se terem envolvido em brigas de festa com Florindo.

Ha duas semanas foi a cereja no topo do bolo, em Sandton, Johanesburgo e o jornal sul-africano Sunday World disso deu conta neste domingo. Florindo Filipe Jacinto Nyusi terá agredido um conhecido médico, o Dr. Amogelang Manganyi, e quebrado o seu celular num restaurante, antes de ameaçar explodir os seus miolos com uma arma.

Manganyi, abriu uma queixa por intimidação, agressão e danos maliciosos à propriedade na polícia de Parkview contra o filho do actual inquilino da ponta vermelha. Ao Sunday World, Manganyi disse que ele e seus amigos estavam a jantar num restaurante em Sandton há duas semanas quando ele deu a um de seus amigos seu iPhone 8 para tirar fotos deles.

Ele disse que porque estava escuro o flash do telefone também iluminava a área onde Florindo e os seus guarda-costas estavam sentados. “Cerca de oito ou nove guarda-costas nos confrontaram e perguntaram porque estávamos tirando fotos deles e do filho do presidente” O médico disse que quando tentou investigar sobre o que estava acontecendo o rebento de Nyusi empurrou-o violentamente antes de pegar o celular jogou-o no chão, pisoteando-o e danificando-o.

“Quando implorei para explicarem o que realmente estava acontecendo, o outro guarda-costas nos disse para nos afastar e nos perguntou se realmente queríamos morrer por um celular.

O médico disse que ele se aproximou dos agentes de segurança do restaurante e pediu proteção, mas eles se recusaram e disseram que estavam com medo porque seu atacante era filho do presidente moçambicano.

E assim, se afirmam os rebentos presidenciais!

 

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