Moçambique – Aos cuidados do Pastor Roy

Como um estado africano e instituições internacionais fecharam os olhos a trinta anos de abuso sexual numa Missão Cristã. Por Estácio Valoi  Ningu

Como um estado africano e instituições internacionais fecharam os olhos a trinta anos de abuso sexual numa Missão Cristã.

Por Estácio Valoi 

Ninguém se lembra exactamente de quando a Rosa faleceu, mas foi algures entre 2005 e 2007, na  estrada para o hospital de Chimoio. O que se sabe é que a Rosa sangrou até à morte e que estava grávida. Também se sabe que ela era uma das meninas ‘favoritas’ do director do orfanato da Maforga, o Pastor Roy Perkins, e que ela se tinha recusado a revelar quem o pai dos gémeos era. As raparigas dizem que já houve quatro desses casos de morte na Maforga, ao cuidado do Pastor Roy.

De origem Australiana, mas nascido na Zâmbia e crescido no Zimbábue, o Pastor Roy tem vindo a cuidar das meninas no orfanato da Missão Cristã da Maforga de uma forma semelhante à que esses outros ‘profetas’ que, de acordo com os moradores locais, “dormem com todas as fêmeas” na desesperadamente pobre Província de Manica, no centro de Moçambique a cerca de mil quilómetros de Maputo. Aqui, homens influentes exploram raparigas vulneráveis que se dispõem a muito em troca de comida ou de um telefone celular. “O Roy comporta-se exactamente assim,” diz a missionária Stephanie Williams, que deixou a Missão da Maforga em 2017. “Ele nasceu na Zâmbia. É Africano.”

Mas é claro, ele não o é. Ou talvez seja um híbrido. Por causa da sua pele branca, passaporte Australiano e experiência nos canais missionários internacionais, -um sector que geralmente carece de supervisão-, o ‘Pastor Roy’ tem conseguido chefiar, nos últimos 30 anos, doações, bens de ajuda internacional e colegas missionários na sua missão. É assim, tanto como é a história do Pastor Roy e a sua fiel e bizarra esposa Trish Perkins, a história dos ‘verdadeiros’ missionários que passaram anos na missão da Maforga antes que se apercebessem da realidade.

Talvez mais que isso, esta é a história de como não se conseguiram livrar de Roy Perkins: como as autoridades governamentais locais o protegeram e o protegem, mesmo depois de dois casos de abuso sexual serem abertos no tribunal. “O Roy sabe como os manusear. Uma vez ele veio aos escritórios municipais com trinta meninas afirmando que as deixaria ali se não obtivesse uma autorização de que precisava,” contou o missionário Daniel Bell. O que as autoridades de Manica não querem é terem que ser elas a cuidar das crianças órfãs e vulneráveis da região.

Favoritas

No início dos anos 2000 o missionário da Maforga Aaron Beecher já havia notado que o Roy sempre tinha favoritas. “Elas recebiam presentes e nunca faziam nada de errado. Mas ninguém tinha tempo para se preocupar com esse assunto. A zona estava ainda a recuperar dos efeitos da guerra” (entre o governo liderado pelo partido da Frelimo e os rebeldes, EV/EG). “E o Roy tinha desenvolvido aquela imagem de líder incontestável, o Homem eleito por Deus.”

Aaron Beecher e a sua esposa estavam no Reino Unido quando a Rosa faleceu e deixou-se de falar dela quando regressaram. Mas, em Fevereiro de 2008, o Roy inesperadamente anunciou que tinha uma ‘confissão’ a fazer. “A Escritura diz que um homem se devia deliciar nos peitos da noiva da sua juventude (mas) eu vim para confessar a vocês que tenho estado a deliciar-me nalguns peitos que não são da minha esposa,” o Pastor confessou ao fim da tarde num encontro com os anciãos. Ele explicou que tinha vindo a acariciar os peitos da Elina* (de 15 anos) e que o queria “confessar para que pudesse ser perdoado e coberto pelo sangue do Cordeiro.”

Kees e Sarah Tanis, missionários Holandeses, encarregados do vizinho centro dos rapazes, e o ancião nacional Manuel Mastarde julgaram que aconselhamento seria suficiente para lidar com a situação, mas Aaron Beecher e mais alguns discordaram. Sabiam que outra rapariga havia surpreendido o ‘Papá Roy’ a ‘tocar’ a Elina e suspeitavam que a confissão possa ter sido feita por forma a antecipar-se à denúncia. “Eu disse ao Roy mais tarde que eu imaginava que isto fosse apenas a ponta do iceberg,” diz Beecer. “E ele baixou os olhos.”

Numa investigação subsequente, a Elina relata que ele a ‘tocou’ pelo menos “cinco vezes.” Também afirma que “há várias raparigas a terem relações românticas com o ‘Papá’” e que ele a tinha dito para “não andar a falar.” Outra rapariga diz a Beecher que depois de ir de ‘férias’ com o Roy e Trish Perkins “que não o faria de novo.” Ainda outra, a Noemi*, diz que o Roy geralmente “entra no quarto das meninas sem bater à porta.” Diz também que o ‘Papá’ tem ‘uma relação com a Albertina (de 20 anos de idade).” Mais uma vez, o Roy confessa, desta vez pelos seus “sentimentos de tentação pela Albertina.” Adiciona ainda que “se desculpou directamente às meninas e que rezou” com elas. Mas isto não traz alívio para os outros. Que abusador chama as suas vítimas para falar do abuso em detalhe? “Imagina que tens treze anos e tens que ouvir tudo isso,” diz uma antiga Missionária de Maforga, Gwen McCarthy*, que, assim como o seu marido Michael*, e tal como os Beecher, intensificavam as suas suspeitas sobre o Roy.

A família Tanis e os anciãos nacionais recusam-se a envolver a polícia. O que vai ser do centro dos rapazes, do estudo bíblico, do aconselhamento aos prisioneiros? “Foi terrível” recorda Michael. “Nós fomos acusados de querer assumir a missão, até mesmo de a querer destruir.” Gwen McCarthy leva então a Elina, a Noemi e mais algumas meninas ao posto policial e enquanto aguardam no corredor, ouve o Procurador a perguntar à Elina: “foi coisas de adulto?”; a resposta dela “sim”, enquanto chorava em pranto.

Depois de regressarem dos depoimentos, a Elina é expulsa do orfanato “como um cão, sem sequer uma mala,” diz ela. A Noemi é chamada de ingrata: a alcunha dela no centro passa a ser ‘mafiosa’ e ela é rejeitada pela maioria. “Receiam passar fome nas ruas sem ele,” explica Gwen McCarthy. “Claro que ele lhes está sempre a dizer isso, ‘Se eu for expulso, quem vos vai dar de comer?’”

Quando o Procurador Distrital, Leónides Mapasse, encerra o caso por ‘falta de provas’ (“o que foi estranho,” diz Aaron Beecher, “porque ele havia nos dito antes que estava certo de que tinha um verdadeiro caso”), o grupo em causa vira-se para o governo Distrital. Mas num encontro a 6 de Novembro de 2009, ficam mais uma vez estupefactos quando ouvem a Administradora Distrital de Gondola, Catarina Dinis, decretar que o Roy e Trish, como ‘pais’ da missão, devem ‘perdoar os seus filhos’ -referindo-se aos missionários em causa- ‘por se portarem mal.’ A Administradora Dinis ecoa as constantes alegações de Roy de que nunca houve sexo ‘em si’ com a Elina e portanto “o caso não era tão sério.” (Até hoje, alguns missionários julgam que o Roy apenas ‘tocou’ e que nunca houve relações sexuais. Mas várias raparigas afirmam que aconteceu, que houve gravidezes e que “todos os abortos aconteceram debaixo do nosso telhado quando o Roy lá estava.”)

Depois do referido encontro, o grupo em causa decide deixar a missão. “Nós sabíamos que já não podíamos lá ficar ou a receber fundos dos nossos doadores. Não nos podíamos submeter mais à autoridade do Roy.”

O poder do Roy

Novos missionários que chegaram em 2013, alheios ao que havia acontecido anteriormente, ouvem rumores sobre o “Roy andar a dormir com raparigas,” diz Daniel Bell. “Mas eram apenas rumores. E eu estava preocupado em obter água. A limpar lixo por todos os lados. Crianças pequenas a cortarem-se em latas e vidro partido.” Mas Bell começa rapidamente a desconfiar da educação que as meninas recebem do Roy e Trish Perkins. “Eram muitas vezes rudes e insolentes, mas calavam-se rapidamente ao mínimo gesto do Roy. A Trish disse-me uma vez que ela tinha orgulho desse ‘poder’ do Roy.”

Bell também começa gradualmente a ficar preocupado com o estado delapidado do centro das raparigas, gerido directamente pelo Roy e Trish. “Eles mantinham o centro com aspecto patético, presumidamente para pôr os visitantes em lágrimas e fazer com que dessem mais. Mas quando vinham novas doações ou construções, acabavam por desaparecer. E enquanto as meninas eram mantidas em condições desprezíveis, o Roy e a Trish tinham férias mais que suficientes.”

Em 2014, Bell visita Aaron Beecher, que agora trabalhava num colégio técnico nas proximidades. Tem que ganhar coragem antes de conseguir fazê-lo. “Os Perkins -principalmente a Trish- proibiram-nos de falar com qualquer membro do grupo do Beecher. Tinham demónios.” Mas Bell precisava de alguns conselhos para o sistema de água que estava a construir. “Beecher pergunta-me: o quê, outro? Ele disse que já havia construído um e perguntou-me se os tanques dele já lá não estavam mesmo. Não estavam.”

Quando em Janeiro de 2015, Caity, de quinze anos, morre no hospital de Chimoio, as amigas estão convencidas de que foi resultado de um aborto mal feito. A Trish Perkins parece partilhar desta suspeita, já que -de acordo Mavis Wright, uma missionária agora reformada mas que cuidava também das meninas e que foi mais tarde informada do trágico evento- dá a bizarra instrução ao hospital para fazerem um ‘teste de virgindade’ assim que Caity chega ao hospital, sangrando e quase sem vida.

Mas os missionários que levaram a Caity ao hospital três dias antes do seu falecimento, acreditam que foi febre tifóide. “Ela estava com diarreia e febre e vomitava,” diz Louise Bouwmeester*, cujo marido Henk* levou Caity nessa manhã de segunda-feira, adicionando que mesmo assim muita da culpa podia ser atribuída ao Roy e Trish. “É possível que a febre tifóide se tenha espalhado no centro porque havia um problema de higiene no lado das meninas quando a Mavis não estava.” “A Caity estava com febre há seis semanas,” diz Bell, irritado. “Tudo o que o Roy e a Trish tinham feito foi mandá-la ao hospital, com apenas uma menina a acompanhá-la.” A Trish não se mostrava preocupada, aparentemente, desde que não houvesse sangramento.

Naquele mesmo ano, o novo grupo de missionários discutem entre eles que o “Roy está novamente a fazer o mesmo”. Desta vez, Catarina, de 21 anos, que é enviada à missão pelo Director Distrital da Acção Social, António Vigove, “para continuar com os seus estudos”, é o objecto das afeições do papa Roy; como resultado a sua irmã deixa a missão, transtornada. Os missionários transferem a Catarina do centro para outra casa na zona, mas Perkins, furioso ao descobrir que ela se foi embora, imediatamente se põe à estrada para a trazer de volta. Mesmo assim, os missionários levam Catarina à polícia para testemunhar, só para depois serem informados de que não há nenhum caso, uma vez que a “Catarina é adulta”. Ao saírem da esquadra da Policia, apercebem-se de que Roy Perkins tinha sido autorizado pelos seus amigos policiais a ficar atrás da parede, para ouvir o testemunho de Catarina.

Questionado o Director da Acção Social, António Vigove, porque enviara Catarina para a missão apesar de estar ciente das queixas contra Roy Perkins no Distrito desde 2009, Vigove nega ter tido conhecimento de tais queixas.

Um exército de meninas

Finalmente, em Outubro de 2016, é feita uma descoberta. Uma carta não acabada onde a Trish fala da “tentação do Roy” e de “incidentes com meninas” -algumas já nos anos 1980- é descoberta por uma voluntária na secretária da Trish. Em novos encontros, cada vez mais irritados, Roy Perkins é dito para sair não menos do que sete vezes. Cada vez a data combinada para sair é ultrapassada e ele permanece. Os missionários procuram documentos do Conselho de Administração e da estrutura de supervisão -alguém deve ser responsável, algures- mas não conseguem encontrar. Escrevem ao Governador da Província de Manica implorando que tome medidas, sem sucesso. Esforços para reabrir o caso no tribunal também não dão certo por causa de, nas palavras do ancião Manuel Mastarde, “uma falta de credibilidade do departamento de justiça em Chimoio.” Stephanie Williams começa a sentir que “a única forma de os tirar de lá vai ser com uma arma apontada à cabeça dele.”

No dia 31 de Janeiro de 2017, quando em mais uma reunião se insiste que os Perkins devem sair agora, o casal acaba por abandonar a sala. Mas imediatamente a seguir chega um exército de cerca de quarenta meninas, lá fora, a gritar, com paus e pedras. Quando o casal Bouwmeester e Daniel Bell correm para se abrigarem na casa dos Bouwmeesters, sob um chuveiro de projécteis, as meninas cercam a casa. “Estavam a atirar pedaços de cimento próximo da porta e a cantar ‘Mata! Mata!’ e ‘Enda! Enda! (vão embora)’” recorda-se Bell. “Também estavam a gritar na língua local. No dia seguinte tocámos a gravação que havíamos feito a uma pessoa da zona. Ele riu-se.” O insulto que as raparigas adolescentes tinham inventado era “A Louise não sabe cozinhar!”

Finalmente, quando é avistado um carro da polícia a aproximar-se, “Roy disse algumas palavras,” lembra-se Daniel Bell. “Elas pararam.”

Os missionários escrevem então aos financiadores, organizações que cuidam de crianças, e até à Embaixada Australiana (o Roy tem passaporte Australiano, não o podem tirar de Moçambique?) Mavis Wright contacta a Embaixada de Moçambique em Londres. Mas “todos eles remetem-nos de uns para os outros,” suspira um. “A Unicef acabou por dizer que as autoridades locais haviam sido informadas. Nós sabíamos disso.”

Conversando com jornalistas

É em Abril de 2017 que Estácio Valoi chega à Maforga, mesmo depois do Domingo de Páscoa. A casa dos Bouwmeester foi novamente atacada, com janelas partidas e mobílias estragadas. O jornalista regressa, depois de entrevistar missionários, locais e algumas raparigas, mas é solicitado para voltar para fazer a reportagem de mais um episódio. O Roy descobriu que algumas das raparigas andam a ‘falar com jornalistas’. A denunciante Noemi, a agitadora e ‘mafiosa’, que vive agora com familiares na vila, é agarrada por um polícia amigo de Roy em frente à casa dela e quase raptada. Quando resolve esconder-se, membros da família contam que a Trish vem à sua casa e tenta que uma criança pequena lhe mostre onde Noemi se encontrava. Entretanto alguns missionários recolhem a Noemi para um novo local seguro.

Entretanto, numa manhã o ‘Papá’ Roy entra no quarto de Fauzia quando esta se preparava para tomar banho. “Eu só tinha vestida uma capulana e quase nem tive tempo para pôr um casaco. Ele acusou-me de roubar uma ventoinha e um fogão e eu disse, ‘Quem, eu?” O ‘Papá’ sabia que tinha sido outra pessoa. Comecei a chorar, mas ele levou-me para o posto policial das Amatongas. Um polícia interrogou-me e bateu-me durante dois dias,” conta ela a Estácio, acrescentando que um polícia que conhece a família dela ajudou a libertá-la e que o Roy ligou mais tarde à família dizendo, “É melhor que as pessoas que me odeiem fiquem na cadeia.”

Quem quer que acabe na cadeia, tudo parece indicar que não será Roy Perkins. Mesmo depois de um novo processo ter sido aberto nos tribunais de Maputo, continua a ‘correr’; e mesmo depois do próprio Governador Provincial de Manica, Alberto Mondlane, ter prometido numa entrevista com Estácio Valoi que “o caso seria definitivamente resolvido,” nada avançou em 2018.

Os habitantes de Maforga encontram-se entre uma rocha e uma superfície rija. Muitos não gostam da ideia das meninas dormirem com homens poderosos por causa de comida ou de crédito nos seus telefones. É óbvio que não têm grandes sentimentos pelo missionário que explora as meninas, simulando ao mesmo tempo que finge trazer civilização e iluminação. Um dia, quando Henk Bouwmeester visita as autoridades municipais para discutir problemas de energia eléctrica, a mulher atrás do balcão responde de forma fria e diz: “Tu deves ser aquele velho da missão que anda a dormir com todas as raparigas.”

Mas quer queiram quer não, muitos aqui não conseguem alimentar as suas crianças. Também não têm razão para pensar que o seu próprio governo alguma vez os vai ajudar, mesmo existindo um departamento de Acção Social, com pessoal e um orçamento. “Eu fiquei tão chocada quando descobri que as pessoas estavam a esconder o segredo do que o Roy andava a fazer,” recorda Stephanie Williams. “Eu perguntei-lhes porquê. Eles disseram que tinham medo que todos partiríamos se eles falassem.” Mas alguns sentem que já chega. “Ainda temos esperança que pessoas brancas boas venham e nos ajudem,” dizem. “Mas o Roy deve sair.”

Elina, a menina cujos peitos tanto ‘deliciaram’ Roy em 2008, agora com 23 anos, vive na Beira com o seu marido ‘depois de passar algum tempo nas ruas quando foi expulsa do orfanato’ fala sem pausa para respirar: “Porque se eu for a falar a verdade… aquilo que eu fui feito… eles vão atrás de mim…”, diz ela.

Os comentários

Conseguir dos Perkins o seu lado da história tem sido difícil. Quando Estácio visitou o orfanato, a Trish diz-lhe que “não tem autorização” para falar e telefona para o Roy que, diz ela, “está a vir com o Comandante da Polícia de Gondola.” Estácio, conhecendo bem a forma como a polícia Moçambicana costuma agir, confiscando e destruindo as suas gravações e anotações, retira-se antes que o duo chegue.

Mais tarde, tentando obter comentários de Roy via email e SMS, Roy afirma que as acusações contra ele não são verdadeiras e que irá enviar documentos que assim o provam. Volta a contactar solicitando mais algum tempo, e depois pergunta se a jornalista Evelyn Groenink ‘é Cristã.’ Depois de passar mais uma semana, não há documentos e não surgem respostas. Uma última mensagem por SMS simplesmente exorta para que o artigo não seja publicado.

As últimas informações que recebemos da Missão referem ‘homens bêbedos’ na missão a ‘fazerem-se’ às meninas numa autêntica ‘cultura de abuso’.

*Nomes alterados mediante solicitação

Esta Investigação foi financiada por amigos com o apoio do Programa Para Fortalecimento da Mídia em Moçambique (IREX)

 

‘ORFANATOS’

A ajuda a orfanatos em África é geralmente repleta de problemas. Orfanatos falsos e abusivos foram expostos, entre outros, pelo parceiro de jornalismo investigativo da ZAM, o AIPC, no Uganda, Tanzânia e Gana. (links e referências podem ser enviados mediante solicitação.) Em todos os casos investigados, descobriu-se que os bandidos se faziam passar por protectores, retendo doações para si mesmos, enquanto que (assim que os visitantes não estavam a ver) as crianças eram mantidas em condições miseráveis e muitas vezes até abusadas pelos próprios ‘protectores’. O fenómeno prospera com o sucesso de alegrar os corações dos ocidentais que querem ‘fazer o bem’ em África e é fortalecido pela geral negligência de crianças vulneráveis por governos disfuncionais. No Gana, quando menores de idade foram libertadas de um bordel e colocadas sob os cuidados do Ministério da Acção Social, em poucas semanas elas voltaram às ruas, novamente fazendo trabalho de prostíbulo. No bordel, pelo menos, tinham um tecto sobre suas cabeças. A AIPC actua para responsabilizar os governos africanos.

COMENTÁRIOS

WORDPRESS: 0
pt_PTPortuguese
en_USEnglish pt_PTPortuguese