Dívidas Ocultas: Roubo ou Golpe Político?

Dívidas Ocultas: Roubo ou Golpe Político?

Para compreender o ambiente disruptivo dentro da Frelimo e a intensa disputa entre os Estados Unidos e Moçambique pela custódia de Manuel Chang, antig

Para compreender o ambiente disruptivo dentro da Frelimo e a intensa disputa entre os Estados Unidos e Moçambique pela custódia de Manuel Chang, antigo ministro das finanças moçambicano no consulado de Guebuza e deputado no início do período político de Nyusi pode ser interessante fazer uma caminhada pelo campo das hipóteses sobre as diferentes perspectivas do que é conhecido como os Escândalo das Dívidas Ocultas.

 

Em 2015 explode em Moçambique mais um escândalo financeiro, desta vez com conexões mundiais. Bancos de dimensão mundial (o transalpino Crédite Suisse, o VTB russo) e mecanismos financeiros internacionais (Banco Mundial, FMI), os “Donos do Mundo”, foram burlados num intricado e rocambolesco enredo de espiões, homens e parentes do Presidente à altura dos factos: Armando Emilio Guebuza o “Filho Mais Querido dos Moçambicanos” segundo os seus ecléticos apaniguados.

 

Contextos

O Boom Económico:

O boom dos hidrocarbonetos (o carvão em Tete a partir de 2010 e o gás em Cabo Delgado uns anos a seguir) deixou eufórico o governo moçambicano e a Frelimo num êxtase que abeirava a loucura. E ambos, numa cruzada dirigida pelo próprio “Filho Mais Querido” pessoalmente apostado em deixar um legado de uma obra indelével, inquestionável e eterna procurou acompanhar de perto este promissor dossier que traria ao país o maná que o partido vem prometendo desde que terminou a guerra: eliminar pobreza, pois combater já se revela rebuscado e cansado.

 

O Vega 5

Em Dezembro de 2010 um grupo de piratas somalis, presume-se, capturou uma embarcação pesqueira a sul do Canal de Moçambique, próximo do Arquipélago de Bazaruto, Sul do Save com efeito “o barco pesqueiro da empresa hispano-moçambicana Efripel Lda. e operado pela Pescamar Lda. Vega 5 teria sido raptado em a 27 de Dezembro de 2010 por um grupo de piratas somalis a seiscentas milhas da costa de Inhassôro, na província de Inhambane. Na altura seguiam a bordo 24 tripulantes, sendo cinco estrangeiros e dezanove moçambicanos. Apenas doze dos dezanove moçambicanos voltaram ao país. As dúvidas são muitas, o que preocupa as famílias dos sete moçambicanos que continuam desaparecidos há quase seis anos”.[1]

 

Já adaptado pelos seus captores, o Vega 5 servia como navio-mãe pirata, foi recuperado, das mãos dos piratas somalis, por dois vasos da marinha de guerra indiana (as corvetas Khukri e Kalpeni) no Mar Arábico a cerca de 600 milhas náuticas (1.111 quilómetros) a Oeste da costa indiana nas seguintes coordenadas 18 horas 36 minutos 56,3364 segundos de ascensão reta e 38 graus 47 minutos 01,291 segundos de declinação.[2]

 

“Na ocasião, o Vega 5 pegou fogo, tendo a marinha de guerra resgatado do navio em chamas 61 piratas e 13 membros da tripulação. Os piratas transportavam consigo cerca de 80 a 90 armas de fogo ligeiras e algumas armas pesadas, tais como lança roquetes. Segundo o governo indiano, o Vega 5 constituía um risco para a marinha internacional nos últimos quatro meses, tendo sido usado em várias operações de pirataria”[3]

 

Estes dois contextos, alertaram o governo e o Estado moçambicano para a necessidade de reforço da capacidade de defesa do espaço marítimo nacional, incluindo, ou principalmente, a zona económica exclusiva.

 

Inicia assim um intricado jogo de espiões, lobbistas, Homens do Presidente, o seu mais fechado inner circle, parentes e empresários franco-libaneses com conexões dúbias no mundo político e dos conflitos.

 

O Golpe detrás do Golpe

De 23 de Agosto de 2021 a Fevereiro de 2022, o tribunal instalado (6ª Secção Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo) na Cadeia de Máxima segurança, ex-BO (Brigada Operativa do Serviço Nacional de Segurança Popular – SNASP, predecessor do Serviço de Informações e Segurança do Estado – SISE), sob a presidência do Juiz Efigénio Baptista, arrolou 19 arguidos e quase duas dezenas de declarantes. Os factos arrolados cimentam as seguintes posições:

 

Os Cunhados

Uma intricada teia de ligações e esquemas ligando figuras de topo de sectores securitários sul-africanos: Joe Mokgokong, figura esquiva e pouco conhecida; o General Solly Zacharia Shoke antigo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e a aproximação dos franco-libaneses, Iskandar Safa (falecido a 29.01.2024), Jean Boustani (sobrinho de Safa) à clique de Guebuza por conta de um chico-esperto Teófilo Nhangumele a partir da Mata Hari sul-africana Batsetsane Thlokoane, suposta representante da Abu Dhabi Mar LC, parte da Privinvest Group e conhecida do General Shoke e agente da Directoria Externa da inteligência sul-africana.

 

Perceber os interesses que motivaram os sul-africanos a empurrar os franco-libaneses goela abaixo da inteligência moçambicana é ainda um mistério caro que interessa perceber.

 

A Casa Real

Embora o SISE tenha tido participação no processo de procura de soluções para os cenários descritos no contexto, através de uma análise e proposta de soluções pela Direção de Estudos e Projectos encabeçado na altura por Cipriano Cisino Mutota, amigo de Nhangumele, o papel de Teófilo Nhangumele, offsider dos serviços foi crucial na aproximação, envolvimento e comprometimento da família real no esquema de suborno e na monumental bolada que se seguiu. Tendo ganho tanto protagonismo que deixou o amigo Mutota às moscas.

 

Os Bons Sinais:

Gregório Leão José (nome de código Barros), António Carlos do Rosário (nome de código Hafido?), respectivamente Diretor-geral dos Serviços de Informação e Segurança do Estado e Diretor da Inteligência Económica do SISE, revelam-se peças-chave no intricado esquema de suborno e conexões dando outra dimensão ao assunto: a dimensão política. De olhos postos em 2024 foram criando uma teia de fidelidade inquestionável assente no dinheiro e nos laços tribais. Parte dos arrolados, ligados aos dois, é da Zambézia o que lhes garantia não só a distribuição do bolo, como o máximo sigilo possível. Estes dois parecem ter o seu plano, pensando no fim do consulado do sucessor de Guebuza muito atentos, controlando e manipulando o processo sucessório na Frelimo.

 

A Sucessão:

Na distribuição regional de candidatos para a direção do partido dos Camaradas, alinham Barro e Hafido um plano para o crucial momento de influenciar a seu favor a sucessão na Frelimo. Estão bem colocados para este jogo: queimando uns e polindo outros e contando explorar muito bem a vez do Centro (Sofala, Manica, Tete e Zambézia).

 

Deste naipe de centristas do jogo tribal Jaime Basílio Monteiro desponta como o ás do jogo dos soft putchistas. Com um percurso de Chefe de Estado-Maior da PRM em Cabo Delgado e em Nampula (onde protagonizou cenas de perseguições e ameaças de tiros por parte de um Juiz e resultando na inimizade dele com a classe dos juízes na província). Em Manica foi comandante provincial mas com registos de envolvimento no garimpo ilegal de ouro.

 

De Manica foi promovido a Comandante das Forças Especiais de Reserva-FER a que a então Força de Intervenção Rápida – FIR – pertence, passa depois Diretor da Ordem e Segurança Pública (DOSP) do Comando-Geral da PRM – CGPRM, Vice Comandante-Geral e finalmente ministro (2015-2019).

 

A sua ascensão é classificada por oficiais veteranos castrenses (militares e policias) como “rápida e surpreendente”, tal como a ascensão na escala política tendo chegado à Comissão Política sem credenciais ou percurso que o justificasse. O plano de Barros e Hafido era manipular a sucessão de Nyusi, apresentando no final um centrista e com percurso (para)militar ajustado ao perfil das situações do país: terrorismo, uma oposição armada (Renamo) e raptos.

 

A ligação de Monteiro a Barros e a Hafido e plano dos três na sucessão confirma-se com a inusitada visita feita por Monteiro (28.04.2024) às portas da sessão do Comité Central que discutiria a sucessão, aos amigos no Língamo o que revela uma ligação estratégica com o grupo de Língamo com quem partilha origem regionais e tribais.

 

Mais ou menos ostensivamente, Basílio Monteiro foi o primeiro a criar um Gabinete de Preparação de pré-candidato, que embora se tenha mostrado modesto e discreto estava focado no objetivo de atingir o ceptro máximo do poder. Mas com fortes indícios de uma pessoa bem preparada para o objetivo de conquistar o poder.

 

Aparentemente moderado e ponderado, apesar de pessoas do círculo próximo e de convívio profissional revelarem ser uma pessoa bastante tribalista, manipuladora e ambiciosa. No seu mandato no Ministério do Interior (2015 e 2019), promoveu a ascensão de oficiais originários da Zambézia (primos e sobrinhos ou com algum laço de parentesco), Timóteo Bernardo, DOSP depois vice CGPRM; Zito Gabriel, DPF CGPRM é colocado na Magistratura em menos de 1 ano; Zainadine Danani, ex Diretor-Adjunto do SENAMI.

 

João Mário Mupuela, Comandante provincial em Inhambane e depois em Gaza; Francisco Raul Simões, antigo Comandante de Manica falecido num acidente de viação, seu sobrinho, por parte da esposa; Abílio Ambrósio DPF; Chame Muaquina, Diretor do SERNAP; Miquichone Afonso, ex-Diretor Adjunto da Polícia Lacustre e Fluvial (unidade criada por Basílio Monteiro sem funcionalidade absolutamente nenhuma) e actual Comandante da PRM na província de Maputo; Almeida esteve na HCB como delegado do MINT.

 

No MINT Basílio criou uma extensa rede de nepotismos e compadrios, um cunhado de Nampula, Fernando é actualmente Diretor Adjunto do SERNIC, Elisete Nampuio Diretora da DNIC sua concunhada (prima de uma das esposas). Basílio confiava apenas em primos, sobrinhos e nas pessoas ligadas pela tribo ou laços familiares. O seu homem de negócios e testa-de-ferro Adriano Mbiza (Strong Security e um dos mais importantes fornecedores do MINT e da PRM) é membro do Comité Central uma espécie de Bila pessoal.

 

As empresas de Basílio Monteiro ou a ele ligadas, filhos, esposa, amigos e testas de ferro, controlavam e ainda dominam o procurement do Ministério do Interior do papel higiénico, seguros, munições e equipamento letal. É tido como o ministro do interior mais rico embora tenha feito apenas um mandato (5 nos).

 

Cabo Delgado:

O surgimento dos terroristas em Cabo Delgado é a parte mais complexa do combate deste dossier securitário nacional. Eis o cenário que apresentamos: a MAM e a ProÍndicus, mecanismos securitários fora do esquema e hierarquia das FDS, embora operando com meios militares e pessoal securitário, são empresas vocacionadas para prestar serviços de segurança controladas pelo SISE por via de António Carlos do Rosário e de pessoas por si indicadas. A quem muitos chefes e gente da nomenclatura política, governamental e empresarial pediu favores e aquele incluiu os filhos e parentes na estrutura daquelas empresas.

 

A dada altura do processo era necessário garantir clientela para o ambicioso projecto e acima de tudo fundos para tapar o rombo dos subornos[4]. Terão se aproximado às multinacionais e oferecido a proposta de proteção, referindo-se ao episódio do Vega 5, as multinacionais teriam respondido como uma recusa, a pretexto de que Moçambique não oferecia perigo aos seus projectos.

 

O passo seguinte é criar a ameaça. O mote religioso pode ter permitido esse elemento: simples, controlável e restrito. Mesquitas, Madrassas e Massdjids foram generosamente apoiadas. Há condições objetivas: meios, homens e inteligência, para tal e as condições políticas são também criadas. Agitadores tanzanianos (comerciantes informais) manipulam a população, especialmente o lumpemproletariado local, desempregado, jovem e desanimado acede à iniciativa de se revoltar contra o Estado. O resto já se sabe.

 

Estranhamente Barros é conhecido de Eric Prince, que apresentou em Maputo, para assumir as já “supostamente” tóxicas empresas de segurança costeira e viabilizar as empresas junto das multinacionais de oil & gas já com a ameaça real dos terroristas: os mashababos cuja epopeia destrutiva iniciou em Mucojo e Quiterajo vilas entre a costa aberta e a Macomia separados pela floresta de Kathupa e centros de gestão da imigração ilegal no seu pico alto de 2009-2012. A inteligência sul-africana teve conhecimento de campos de treino da Al-Qaeda no Norte de Moçambique em 2012.

 

As multinacionais recusam e contrapõem com um modelo de segurança estatal que comporta os ministérios da defesa e do interior: Basílio e M´tumuke são indicados responsáveis e gestores desse projecto de protecção empresarial com meios (homens, equipamento) do Estado, mas recebiam os fundos e não entregavam aos homens militares e policias destacados no TON (Teatro Operacional Norte).

 

Quase aos gritos Barros, no tribunal insistia “isto é intelligence!” procurando dar a entender a complexidade de operação de segurança acima de onde muitos ou todos viam um roubo milionário. Mais artista Rosário procura convencer o tribunal, a sociedade moçambicana e ao mundo que o país estava e está ante uma séria ameaça de segurança e tudo feito foi necessário.

 

Pode-se, agora, perceber à luz dos factos que Boustani apresenta no seu livro[5] que os fundos seriam usados noutros projectos, políticos ou estratégicos dentro de Moçambique. O assunto pode ter descarrilado quando Gregório Leão José é desmontado por Nyusi da direção-geral dos serviços.

 

Guebuza e Companhia.

Vítima do seu ego, AEG terá sido enganado por aqueles em quem mais confiou: Gregório Leão José e António Carlos do Rosário. Um duo dinâmico apostado em controlar o próximo inquilino do número 2000 da Julius Nyerere a quem usaram para dar uma cobertura política para este processo. Inadvertidamente ou a propósito serviram uma parte significativa (33 milhões de dólares), mas envenenada, parte do bolo ao primogénito Ndambi Guebuza, arrastaram Alexandre Chivale, Guebuzista assumido e juramentado, para colaborador dos serviços com o fim de manipular toda a narrativa política de defesa do projecto e dar a ideia de “luta de alas” a qualquer tentativa de o criticar, combater e julgar. Bajulado, AEG sentiu a poeira mas não viu que saía dos próprios bolsos.

 

Pior do que Brutus, Nyusi apunhalou as costas de Guebuza várias vezes: No partido, na presidência, nos negócios e na sua família até ao âmago.

 

Brooklyn

Em Brooklyn Manuel Chang pode sentir-se seguro, apesar das hipóteses rocambolescas apresentadas por alguma imprensa local de “refúgio na representação diplomática moçambicana em New York”.

 

Na América Chang está livre para escapar ao longo braço do grupo, exposto que estava no sistema prisional sul-africano como aventou o académico germano-sul-africano Andrea Thomashaussen, da possibilidade de “queima de arquivo”, neste folhetim de espionagem, roubo e luta política no seio da Frelimo. Onde se nota o enfraquecimento da geração 25 de Setembro (libertadores), como o alto nível de infiltração das hostes partidárias e a vergonhosa exposição do país a fortes grupos lobistas mundiais pelos recursos estratégicos que possui, e naturalmente aos concorrentes políticos e económicos na região (RSA, Tanzânia) e na área do gás (Qatar, Emirados Árabes) no mundo. “Isso é um grande ganho para nós, eles já nos confiam. Ninguém nos dava nada, após a descoberta das dívidas ocultas, e eu era conhecido como o Presidente do país dos ladrões” diz Nyusi.[6]

 

Cansado, doente, vencido e acima de tudo só. Preso desde 2018 a caminho do paraíso no Dubai (apenas com bilhete de ida) Chang não tem nada a perder e pode desvendar o segredo mais conhecido de todos neste golpe pronunciando o nome do New Man, que mostrou disponibilidade para gastar tudo para evitar que o tesoureiro do golpe fosse para os Estados Unidos.

 

Apaguem tudo! Apaguem tudo nos e-mails de Manuel Chang! Tudo!!” terá dito Nyusi a um grupo de oficiais do Tesouro em Abril na sessão do Comité Central onde o elefante na sala foi indicado e sentiu que nem tudo podia correr conforme planeara.

 

Golpe de Estado?

Jean Boustani faz capa do semanário Canal de Moçambique[7] afirmando peremptoriamente “foi um golpe de Estado!” explicando a descaminho de todo o processo do projecto. Nesta perspectiva há aqui duas probabilidades:

 

The Zambézia Connection: com os esforços do grupo zambeziano a tentar controlar o processo sucessório com dez anos de avanço para o período pós-Nyusi. Arrolando Jaime Basílio Monteiro como peão do seu jogo e organizando as peças do seu xadrez político no partido, no governo e na sociedade. Com parte dos meios abocanhados no golpe e na gestão dos serviços.

 

Organizam a carreira e percurso político de Jaime Basílio Monteiro, patrício, incluindo a subida meteórica de vice comandante-geral da Polícia para Ministro do Interior e simultaneamente, sem percurso político reconhecido a entrada no restrito órgão político da Frelimo: a Comissão Política.

 

Chang, por exemplo, padrinho de casamento de Gregório Leão José, e Ângela Leão, já vem “comendo” com este em contratos chorudos nos Serviços com fornecimento de viaturas e outros serviços por via de empresas em que Chop Stick e a Dama Laranja estavam ligados. Garantindo assim o retorno ao governo orquestrado pela clique dos Bons Sinais. Presidido por Jaime Basílio Monteiro, onde Gregório Leão seria Ministro dos Negócios Estrangeiros, António Carlos do Rosário Director-Geral do SISE, Chang Primeiro-Ministro. Até porquê a vez era do Centro e Sofala já não serve porque Dlhakama está morto e enterrado como M’tumuke previra[8] e Pacheco já não é mais útil.

 

The Mueda Connection: com o grupo makonde a oferecer Guebuza de bandeja como corrupto-mor provavelmente por questões e animosidades passadas com Chipande e da narrativa nos Libertadores da ganância de Guebuza (Sr. 5%); e da parte de Nyusi por ter descoberto que no banquete dos subornos teria comido a parte mais pequena (700 mil dólares). Considerou-se “enganado” por Leão e “usado” por Guebuza, tendo concordado em julgar os seus antigos colegas no Comando Conjunto das FDS e o antigo chefe Guebuza, por via do filho Ndambi (que comeu a parte maior), esperando atingi-lo politicamente durante o julgamento.

 

Nos seus deslizes comunicacionais Chipande derrama esta mágoa, ao dizer que a tenda do julgamento estava cheia de machanganas e alguns chuwábos para pintar. “Os makondes onde estavam? Han?”.

 

Onde se vê um roubo gigantesco pode estar a ponta do iceberg de um intricando golpe político numa Frelimo a cada dia mais moribunda, tomada por uma teia de perigosos grupos com ambições empresariais muito fortes e perigosamente conectadas que justificam o recurso a qualquer meio, político ou criminal para atingir os seus fins.

 

A Frelimo

Uma Frelimo sem ideologia, sem utopia sem liderança, sem mecanismos de controlo (checks & balances), onde a bajulação é regra, uma inteligência cheia de filhos de dirigentes, sem experiência ou perfil para a atividade que expõe-se, e ao país, a estas manipulações pessoais e o país ao ridículo ao invés de o proteger de ameaças, transforma-se em si uma ameaça real. Aproveitada por tudo e por todos enquanto os desmobilizados das FADM engrossam o desemprego, o sector informal, o crime e o terrorismo com a sua expertise operativa o Estado é defendido por gente sem capacidade nenhuma.

 

O ambiente disruptivo na Frelimo hoje pode-se perceber pela necessidade que os seus membros têm de se despir (desNyusificação) de dez anos de uma gestão despótica, errática e de um cinzentismo galopante. Onde apenas o Presidente, o Secretário-geral e a presidente da OMM, não surpreendentemente, a primeira-dama, apareciam mas, completamente desprovidos de uma abordagem estratégica que englobasse o partido, que reflectisse a realidade nacional, ou qualquer visão política, conjuntura económica ou social. Apenas pelo prazer de aparecer e mostrar quem mandava. Hoje as pessoas rebelam-se contra o génio das vontades. “É preciso nós querermos que você seja querido...” enquanto Nyusi e Roque procuram acomodar as suas pedras talvez afiando as facas para batalhas futuras.

 

 

 

[1] https://www.dw.com/pt-002/onde-estão-os-pescadores-moçambicanos-sequestrados-em-2010-por-piratas-somalis/a-19449544.

[2] https://verdade.co.mz/embarcacao-qvega-5q-aprisionada-pela-marinha-de-guerra-da-india/

[3] Idem.

[4] A protecção de uma torre de oil & gas era até 2012 de 2 milhões de dólares dia. Dinheiro mais do que suficiente para cobrir o rombo, reestruturar o SISE e controlar os processos políticos e económicos nacionais. Por exemplo os 67 apartamentos arrestados a António Carlos do Rosário não eram apenas para arrendar. Seria distribuídos no processo de conquistar votos nos congressos das organizações sociais do Partidão e no Comité Central até garantir que o candidato fosse um forte front runner e virtual vencedor. Como quase se verificou se Nyusi não tivesse impedido. Dos candidatos por ordem de media Nyusi temia os seguintes: Jaime Basílio Monteiro; por saber quem o trouxe para o círculo do poder e perceber o risco que corria; José Pacheco pelo facto de o ter traído e temer deste a vingança; Luísa Diogo pelo seu perfil Nyusi não escaparia a um julgamento nos mesmos moldes que engendrou o sobre as dívidas ocultas. Por isso Roque era o único que serviria os seus interesses: manter-se impune e a continuação dos seus negócios e os do grupo makonde e empresarial a si associado. Provavelmente a continuidade de alguns membros do seu gabinete que o alimentariam: Mesquita, Max.

[5] Le Traquenard: Affairs Africaines: Celui qui n´aurait jamais dû parlei témoigne. Boustani; Erwan Seznec.

[6] https://evidencias.co.mz/2023/12/19/evoluimos-de-pais-de-ladroes-a-pais-de-assassinos/

[7]Jean Boustani fala das dívidas ocultas e seus meandros: Foi um Golpe de Estado”. Ano 14 – N.º 869. N.º 771. Quarta-feira, 05 de Junho de 2024.

[8] “A natureza vai encarregar-se de fazer a justiça” General Atanásio Salvador M´tumuke. Folha de Maputo. 25.09.2015.

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