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Contornos da heroina em Cabo Delgado Por Centro de Jornalismo Investigativo Em Dezembro passado o largo da baia de Pemba, considerada a terceira

Contornos da heroina em Cabo Delgado

Por Centro de Jornalismo Investigativo

Em Dezembro passado o largo da baia de Pemba, considerada a terceira maior do mundo, foi palco de duas apreensões de heroina, com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e ramos adjacentes da policia a colherem os louros.

Com intervalo de nove dias, a primeira detenção ocorreu a 14 de Dezembro e, a segunda a 23 do mesmo mes. O total da droga apreendida (heroina) é de cerca de duas toneladas. Entre iranianos e paquistaneses os tentáculos do nocivo e lucrativo negocio da droga podem ser muito maiores do que se pensa (ou se sabe) com a vulnerabilidade da nação e a sua soberania expostas.

O CJI, usando um número pela fonte da entrevista, contactou o o titular do celular, que ao centro disse conhecer os homens que tratou de “meu povo”.

Ao CJI ele disse que é funcionário de “uma grande companhia. E que advogados vão ajudar a esclarecer”. Perguntamos como se designa a companhia e quem a dirige, onde está estabelecida. Preferiu ignorar as nossas perguntas.

 

Em Pemba, capital da provincia de Cabo Delgado, o CJI, mergulhou no assunto, investigou os contornos e conseguimos entrevistar um nacional alegadamente envolvido que passou alguns dias de carceré com os retromencionados cidadãos.

 

Iranianos e paquistaneses e as duas toneladas de “pó” no largo da baia

A 14 de Dezembro, a marinha de guerra interceptou uma embarcação com 12 Iranianos abordo que transportavam mais de uma tonelada de droga. Apercebendo-se que as autoridades estavam no seu encalce, optaram por incendiar o barco para, de seguida, se atirarem ao mar.

Era a desesperada e derradeira de apagaram os vestigios. Resgatados das aguás foram recolhidos e encarcerados em celas na cidade de Pemba.

Quando se ainda se degeriam os iranianos, nove dias depois uma outra embarcação com treze cidadãos paquistanes transportando 431,8 Quilogramas de Heroina e Ice foi apreendido pelas retromencionadas Forças de Defesa e Segurança.

Em Julho de 2018, o Centro de Integridade Pública (CIP) num relatório produzido por Joseph Hanlon indicava que Há duas décadas que a heroína tem vindo a ser uma das maiores exportações de Moçambique e o negócio continua a crescer. Produzida no Afeganistão, passa pelo Paquistão a caminho do porto que a traz por mar até à África Oriental e particularmente ao Norte de Moçambique.”

“A partir daqui vai por estrada até Joanesburgo, para ser enviada para a Europa. Esta rota tem se mantido invariável há 25 anos. Estima-se que todos os anos se movimentam entre 10 e 40 toneladas de heroina, ou mesmo muito mais, através de Moçambique. Com um valor de exportação de 20 milhões de US$ por tonelada, a heroina é provavelmente o maior, ou o segundo maior, produto exportado, logo a seguir ao carvão. Estima-se que pelo menos 2 milhões de US $ por tonelada ficam em Moçambique, na forma de lucros, subornos e pagamentos a figuras seniores Moçambicanas.”

Nos autos apreensão da heroina observados pelo CJI com menção a alguns nomes, foi anotado que a mesma pertence a mafiosos oriundos da Tanzania.

Uma fonte local, cuja identidade preservamos por questões de segurança (um pescador com mais de 30 anos naquela baia) explicou nos como funciona o esquema,

 

“Sempre aparecem embarcações estrangeiras nas nossas aguás territoriais, como se fossem pescadores. Após chegarem sabotavam os motores, e parecia que foram empurados pela ventania e chegaram a Moçambique contra vontade.  Eles ficavam em Moçambique até conseguirem reparar a avaria do seu barco, tinham auxilio do governo por questões de refugio  e alimentação em vários casos isso aconteceu, as vezes têm sido os patrões a acolher.”

 

Com o seu barco avariado, às vezes levado ao porto, aquele que recebe a mercadoria, monta o seu esquema dentro do porto, pois as pessoas são facilmente corrompíveis, a ganância ao dinheiro fala muito alto que aquilo que se chama profissionalismo. Nos portos onde descarregamos nossas mercadorias, entramos e saimos ilesos. Dinheiro fala e faz assinar acordos.

 

As pessoas desse negocio têm muito dinheiro, podem andar com uma mochila cheia de dólar e aquilo ser o normal da pessoa.

O relato de quem conhece…

 

“Um amigo meu Tanzaniano que vive na Tanzania, falou comigo e disse que chegaria uma mercadoria onde tem a sua encomenda. Eu iria ajuda-lo a receber e teria a minha parte apartir dele. A droga quando é enviada tem código, aquela que está com as autoridades tem uns números que são os tais códigos.

 

O que significam esses códigos?

 

Cada código é sinal de um dono. Os donos da mercadoria tambem têm esses códigos. Por isso que mercadoria de um Tanzaniano, eu posso receber sem falhar a encomenda por conta dos códigos, mesmo os pescadores que as vezes ajudam a levar a droga de um ponto para outro sabem disso.

 

E qual era o codigo do seu amigo?

 

O código do meu amigo era: 8759. É esta mercadoria que eu iria receber, que pertence ao meu amigo. O meu amigo viria com um camião, levaria pessoalmente a Tanzania, e de lá só ele sabe o que faria.

 

E como é que a sua familia lida com isso?

Sou divorciado. Minha ex-mulher me matrecou muito. Por acaso ela nao aguentou com as pedaladas, tentei mostrar-lhe como isso funciona e ela não aguentou, tanto que chegou um momento onde só discutiamos e ela pediu o divorcio e separamos.

 

Como assim ela nao aguentou com as pedaladas? 

Ela recebia em casa pessoas diferentes raças, outros quando chegassem a minha casa davam as crianças 200 dòlares para cada um ela não gostava daquilo. Até tentou falar no tribunal que eu sou traficante, mas felizmente não teve provas. Mas ela esta bem graças a mim.

 

Ensina-me quero entrar nesse mundo tambem.

 

Tudo bem. Mas eu agora estou sem dinheiro, mas te garanto que tenho aliados fortes nesse mundo. Como por exemplo, existem pessoas que querem recuperar a mercadoria apreendida aqui em Pemba.

 

Daquela última embarcação?

 

Sim, a mesma. Se consegues influência de ter no minimo 100 quilos, terás 10.000 dólares. Um dos donos quer muito recuperar a sua mercadoria.

 

Então conheces os donos? Pois eu ouvi que pertence a uns indianos…é isso?

 

É dificil perceber essas coisas. Mas aquela mercadoria pertence a 3 pessoas, são os bosses, e eles por sua vez ja tinham compradores prontos a pagar aqui mesmo em Pemba, outros Tanzania e assim em diante.

O dono da Mercadoria 8759 chama-se  Adjuba Kibabaro.

Enquanto eu mexia o meu telemóvel, os iranianos observavam-me atentamente e um deles veio ter comigo. Ele perguntou se sou muçulamano e disse que sou, se falo ingles disse que sim. Então pediram-me por emprestado o meu cel pois queriam comunicar-se com alguem que esta no Irão. Chamou o capitão do grupo e ligou via Whatsap para essa pessoa. O número é +00989153453001.

Disse a mim mesmo, embora eu esteja detido já tenho bolada, oportunidade de ter dinheiro e fazer um grande negocio.

E eles falam ingles?

 

Eles falam sim, todos comunicavam em Ingles. Falamos com o dono daquele numero que esta no Iraque, ele disse que são homens dele, que aranjaria um advogado. Ele está sempre online.

 

Este artigo foi possivel graças ao apoio da embaixada do Canada

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