Moçambique chega ao primeiro ano da pandemia com 600 mortes

Moçambique chega ao primeiro ano da pandemia com 600 mortes

A cada 24 dias a Covid tirou a vida dum menor de 20 anos   Homens maiores de 50 anos e residentes nos principais centros urbanos são as pri

A cada 24 dias a Covid tirou a vida dum menor de 20 anos

 

Homens maiores de 50 anos e residentes nos principais centros urbanos são as principais vítimas do coronavírus. Com menos de 19 anos, em quase um ano de pandemia, só morreram 14 menores de 20 anos. A investigação do CJI apurou que a Covid-19 é a 12ª segunda causa de morte no país.

 

Moçambique completou antes de ontem 340 dias submetido a uma ditadura sanitária e social por conta da Covid-19, numa evolução tão inédita como incerta que passou muito por baixo de todos prognósticos. No dia 31 de Março de 2020, quando só existiam 8 casos diagnosticados no país, Baltazar Fael, do Centro de Integridade Pública, apontava que as restrições serviam para “proteger um direito maior, que é o direito à vida”. Tomás Viera Mário acrescentava que se tratava “duma decisão acertada”. A história da Covid-19 em Moçambique começa na realidade em Janeiro. Uma investigação do Instituto Nacional de Saúde (INS) obteve a primeira sequência do genoma Sars-Cov-2 que circula no país. Segundo a dita análise, que nunca foi publicada, o novo coronavírus chegou ao país em 6 de Janeiro de 2020 e pertence a uma segunda geração originada de um caso importado da África do Sul.

 

Mas só foi a 22 de Fevereiro, às 15h, quando o ministro da Saúde, Armindo Tiago, revelou que um homem de mais de 75 anos, que havia chegado do Reino Unido, desenvolveu sintomas. Era o primeiro caso do vírus em Moçambique, mas foram precisos mais de dois meses para o registo do primeiro óbito: uma criança de 13 anos em Nampula que padecia de doenças crónicas. Nessa época, o mundo já estava oficialmente imerso na pandemia (depois da declaração da Organização Mundial da Saúde) e Moçambique começou a tomar medidas históricas para conter o vírus: fechou fronteiras terrestres e aéreas, cancelou aulas e reuniões. No dia 22 de Março de 2020, o Presidente Filipe Nyusi, anunciou o Estado de Emergência em todo território nacional que se estenderia por 30 dias e resultou em três meses, tudo com a única intenção de reduzir a intensidade com que se estava propagando um vírus que só tinha infectado 8 pessoas.

 

Ao iniciar o mês de Julho os casos identificados superavam a barreira psicológica dos 1.000 e duplicaram em 4 semanas. Os primeiros 10.000 diagnosticados se completaram no dia 10 de Outubro de 2020; os 30.000, no dia 20 de Janeiro de 2021.

Tudo isto, a um ritmo diferente segundo as províncias. Ao mesmo tempo que se identificavam novos casos e se privavam as crianças de frequentar o ensino, as mortes de menores representavam menos de 1% do número total de vítimas. Ademais, morreram mais crianças em casa, de acordo com os dados disponíveis nas actualizações diárias do MISAU, do que no período que frequentaram a escola. Até o fecho desta matéria 74% das vítimas mortais da Covid-19 em Moçambique são maiores de 50 anos de idade. Os últimos dados em relação ao número de casos indicam uma tendência de redução do número de casos, duma média de 900 casos diários para 700. Inclusive o número de mortes diárias também reduziu.

Para Moçambique, o Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (Ihme na sua sigla em inglês) projectou alto stress hospitalar até 1 de Junho. No fecho desta edição, Moçambique celebrará o primeiro ano da pandemia com 600 mortes e uma média 1,7 falecimentos por dia.

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