O conflicto em Cabo Delgado não interrompeu os lucros

O conflicto em Cabo Delgado não interrompeu os lucros

Por Luís Nhachote Já passam quatro anos desde o início da insurgência na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, o que forçou a gigante

Por Luís Nhachote

Já passam quatro anos desde o início da insurgência na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, o que forçou a gigante françesa, TotalEnergies, a declarar força maior e parar as suas operações na península de Afungi e impactar negativamente as economias local e nacional, mas alguns homens de negócios continuam a ter ganhos.

Um dos homens de negócos, Raimundo Domingos Pachinuapa, um reformado general da luta pela independência e membro do partido Frelimo, é parceiro da Gemfields, uma empresa de mineração listada nas bolsas de Londres e Joanesburgo.

Membro do grupo étnico Makonde ao qual também pertence o Presidente Filipe Nyuis, Pachinuapa foi governador da província de Cabo Delgado entre 1980 a 1983. Actualmente, é membro da Comissão Política da Frelimo, um órgão com 19 membros que semanalmente orienta a política do partido.  

Pachinuapa entrou para o mundo de negócios quando um camponês descobriu um rico veio de rubís em 2009, na localidade de Namanhumbir, distrito de Montepuez. A descoberta foi descrita como “a mais importante descoberta de rubís deste novo século” pelo Instituto Gemológico Americano.

Após a descoberta, a empresa Mwiriti de Pachinuapa tomou controle da área, e em 2011 estabeleceu-se a Montepuez Ruby Mining (MRM), uma parceria entre a Mwiriti (25%) e a Gemfields (75%). A operação mineira ocupa 33.6 hectares de terra.

Apesar de formalmente a Mwiriti ter um capital social de apenas 30,000 meticais (cerca de $1,000 na altura), e sem prévia capacidade para explorar recursos minerais ou experiência no mercado internacional de pedras preciosas, a Gemfields pagou à Mwiriti  $2.5 milhões pelos 75% na parceria, MRM.

Papar quase todas as licenças mineiras

Em julho de 2021, o Centro de Integridade Pública (CIP), uma ONG na área de transparência baseada em Maputo, publicou um estudo que mostra que os pedidos de concessões mineira em Cabo Delgado aumentaram mesmo com a intensificação do conflito violento na província..

O estudo concluiu que Mwiriti, o general Pachinuapa e do seu parceiro Asghar Fakhraleali, de nacionalidade iraniana, têm o maior número de concessões em Cabo Delgado..

“A Mwiriti Mining, Limitada, legalmente pertencente a Raimundo Domingos Pachinuapa (60%) e Asghar Fakhraleali (40%), surge como a empresa com maior número de concessões mineiras em Cabo Delgado, com 7%” das concessões mineiras da província”, o estudo acusou. Mas a Mwiriti Mining, Limitada está envolvida em outros projectos de mineração dos quais é acionista, o que poderia elevar sua participação nas concessões de mineração para cerca de 10%.

O homem dos lucros

Em 2019, a Mwiriti ganhou $17,9 milhões como resultado do leilão de rubis em Cingapura, enquanto a Gemfields obteve a maior parte, $71,5 milhões. O leilão de gemas dos campos de Montepuez rendeu milhões de dólares à MRM. Por exemplo, em Junho de 2014, a empresa ganhou $33,5 milhões em um leilão na Cingapura. As gemas foram posteriormente revendidas bo valor de $122,2 milhões.

No entanto, as operações de mineração têm gerado polémica. Vídeos surgiram em 2012 na sequência da tortura pelas forças de segurança de Moçambique (FDS) de garimpeiros ilegais que estavam a prospectar rubis em Nahamamumbir  para assegurar que saíssem da área.

As pessoas em Cabo Delgado acreditam que alguns dos jovens que foram tratados de forma tão brutal em Montepuez podem ter sido recrutados pelos insurgentes para se juntarem às suas fileiras.

A mineração artesanal continua na concessão da MRM, apesar dos melhores esforços da polícia e da segurança privada para reprimir a actividade. A MRM diz que sabia de 21 pessoas que morreram durante a mineração ilegal na sua concessão em 2020, e outras oito no início de Agosto deste ano. A maioria das mortes foi devido ao colapso das minas que eles cavaram.

A Mwiriti percorreu um longo caminho desde a empresa inicialmente registada para oferecer serviços de construção, venda de alimentos, equipamento de escritório, comércio em geral e lobby. Só em 2009 é que passou a incluir no seu portfólio de negócios a “prospecção, investigação, exploração de recursos minerais, incluindo importação e exportação”

Pachinuapa mostrou que fará tudo o que estiver ao seu alcance para proteger a sua empresa. A MRM inicialmente usou duas unidades da polícia anti-motim (UIR) do país. Somada à polícia anti-motim, a MRM contratou cerca de 100 pessoas de uma empresa de segurança privada moçambicana e outras 400 de uma empresa de segurança privada sul-africana.

Este artigo foi originalmente publicado no https://mg.co.za/thecontinent/

COMMENTS

WORDPRESS: 0
en_USEnglish
pt_PTPortuguese en_USEnglish