O drama da Guerra em Cabo Delgado

O drama da Guerra em Cabo Delgado

Por: Estacio Valoi Outra vez, os actualmente denominados terroristas em mais uma recente incursão tomaram de assalto a vila de Mocímboa da praia do

Por: Estacio Valoi

Outra vez, os actualmente denominados terroristas em mais uma recente incursão tomaram de assalto a vila de Mocímboa da praia do Norte de Cabo Delgado a cerca de 70 quilómetros do distrito de Palma – Afungi onde esta o maior investimento em bilhões de dólares na área do gás natural numa corrida frenética entre multinacionais e governo moçambicano em garantir a sua parte no negócio do gás e petróleo indo ao negócio da guerra.

 Cabo esquecido. Já desde 2014 no distrito de Mocímboa da Praia já se falava da existência de células ‘ Jihadistas” segundo alguns entrevistados naquele ano naquele distrito. As autoridades, a todos os niveis foram alertadas mas fizeram – se em ouvido de mercador, ‘ alertamos ao governo que os nossos jovens aqui de Mocímboa já não queriam seguir o nosso Islão, criaram um deles.” As células foram crescendo, novos recrutamentos tiveram espaço. Enquanto isto o governo moçambicano ia atribuído nomes ao “ crocodilo,” como ‘ grupo de marginais, bandidos, malfeitores, ladroe’ e outros. O número de mortes – decapitados ia subindo, o número de deslocados de dezenas chegava as centenas e actualmente aos milhares, o número de infra-estruturas, idem.

 

Uma sequência de ataques que foram aumentando desde o primeiro ataque a Mocímboa em Outubro de 2017 e foi se alastrando para outros espaços geográficos da província de Cabo Delgado adentro aos distritos de Nangade, Macomia, Muedumbe, Palma, Mueda.

Há guerra militarizada em Moçambique. Apenas dos números contabilizados sem mencionar os corpos sem vida que jazem pelas matas em estágio avançado de putrefacção, as valas comuns por la existentes, as Nações Unidas estimam que em consequência desta crescente guerra existem 250.000 deslocados, o número de mortos entre civis e militares ronda 1500 pessoas e uma serie de infra-estruturas completamente destruídas “ aldeias limpas, não esta ninguém, todos fugiram.” Especialistas, políticos tentam lutar contra um inimigo de origem interna no seu geral com algumas ramificações externas. Não há clareza quando a ligação dos “ Alshabaab” moçambicanos com os outros grupos extremistas radicais como o da Somália, Congo, Al-Qaed.

O Facto é que a partir do Rio Montepuez, Awassi, Macomia, Mocímboa, Palma até ao Rio Rovuma tornaram-se zonas habitadas pelos terroristas onde Mocímboa da Praia tornou – se o preferido desde 2017, e, só este ano, do mês de Marco ate aqui sofreu mais três ataques.

Enquanto os Serviços de Informação e Segrança do Estado (SISE), a morosidade no reconhecimento de que havia guerra no Norte de Cabo Delgado, onde militares, generais e outros indivíduos encontraram novas oportunidades para fortalecer seus saques, roubos, lavagem de dinheiro, corrupção, grandes contractos na protecção militar das multinacionais de petróleo e gás, na sua logística em milhões de dólares, a população parecia ter sido abandonada a sua sorte.

Os Crocodilos cresceram!

Vieram os mercenários Russos da Wagner, veio a empresa de segurança privada sul-africana Dyck Advisor (DAG). Chegaram em processos pouco transparentes tipicos de negocios da guerra, onde o lucro esta por cima de todas as vitimas…

Rajadas, bombardeamentos, fome afectando milhares de pessoas, sem casa, sem sítio, sem estado presente os jovens radicais ‘crocodilos ‘com origem em Mocímboa isto considerando epicentro cresceram vários ataques protagonizados por este grupo ‘ Alshabaab” Moçambicano. Enquanto isto em comunicados de imprensa o Governo moçambicano propalava a mesma mensagem “ a situação esta controlada.”

Uma Guerra que se torna um problema deveras preocupante para os países da região SADC, o seu escalonamento tendo em consideração a expansão do extremismo islâmico, as consequências nefastas que possam advir deste movimento como o qua acontece na Nigéria com o Boko Haram. Até aqui estima-se que desde o prelúdio desta guerra em Moçambique 335 ataques tiveram lugar, dos mais simples aos mais intensos. Ainda sobre o mais recente ataque a Mocímboa, a tomada da Vila e do porto, um revés para o governo Moçambicano isto tomando em consideração a questão geográfica de Mocímboa da praia, entrada e saída via marítima, acesso fácil ao mar alto, propicio para a pirataria ao longo do Canal de Moçambique o que também economicamente poderia vir a minar o próprio escoamento do gás e não só, assim como o controlo da zona costeira do distrito de Macomia ate o de Palma.

“ Desta vez foram todos a correr, fugir, outros saíram de Mocímboa via, Palma, era preciso despir o uniforme militar, deitar fora a arma AK-47, andar nu para não ser confundido com militar ou terrorista ate chegar a Mueda. Versa um militar sobrevivente.

Mas há outros factores que tornam o Cabo esquecido uma zona propícia para esta guerra. Província rica pobre com enormes reservas de recursos naturais, minerais mas que não beneficiam ao próprio povo, indo desde o contrabando de madeira, marfim em que o local na sua maioria ‘e usado e cabe lhe a ínfima parte cabendo aos ‘King pin’ o maior lucro e assim também na droga, minerais

Exemplo: Montepuez – Namanhumbir localizado no nordeste de Moçambique, na província de Cabo Delgado onde se encontra a maior reserva de rubis  do mundo . É uma corrida permanente feita por multinacionais como Fura, Montepuez Ruby Mining/Gemfields, MUSTANG (New Energy), Gems rock, Mwiriti, grafite de Balama em Montepuez, Balama e outros distritos que controlam os solos de rubis vermelhos e outros minerais enquanto associações comunitárias locais., os cidadãos são deixados à parte, sem terra para mineração ou agricultura. Ainda é “promessas”.

Como o governo diz que os recursos de minerais devem primeiro beneficiar as comunidades locais, mas esta afirmação, na prática parece desmoronar. As multinacionais e seus associados ministros, generais e outros continuam acumulando milhões e milhões de dólares, alguns nem sequer pagam impostos.

Durante a última década governação do Presidente Filipe Jacinto Nyusi o índice de pobreza aumentou em Moçambique. “Em 2016 o crescimento do PIB abrandou para 4.3% devido a uma maior restrição orçamental, a uma quebra do investimento directo estrangeiro e, ainda, devido à crise da dívida “oculta”; espera-se um aumento na ordem dos 5.5% para 2017, impulsionado pelas exportações do sector extractivo.• Embora a incidência da pobreza tenha diminuído, o número de pessoas pobres permanece quase o mesmo, num ambiente de crescentes desigualdades.• Um frágil sector industrial emprega apenas 3.2% da população e é essencialmente composto por pequenas e microempresas (90%) ” conforme refere o estudo -13 PERSPETIVAS ECONÓMICAS EM ÁFRICA© AfDB, OECD, UNDP 2017

Ignora-se a falta de investimentos na agricultura, mudanças climáticas, inundações e sistemas de saúde precários, que são principalmente uma consequência da cleptocracia habitual pilhagem nos países africanos por trilhões e trilhões de dólares americanos que desaparecem em contas no exterior. Um estado de emergência foi declarado em quase toda parte. Em alguns lugares, são necessários bloqueios, mesmo para quem tem dez pessoas morando juntas na mesma sala, sem água ou condições sanitárias e sem maneira possível de praticar distanciamento social, pessoas que vivem dia a dia, dependendo da compra diária informal e venda de mercadorias.

O negócio da guerra em Cabo Delgado

A conta bancária número 1041857710001, tornada pública pelo semanário Canal de Moçambique como sendo aquela onde nela se encontra depositado o dinheiro destinado aos militares e polícias que estão a prestar serviços de segurança para as companhias multinacionais Total e Mozambican Rovuma Venture em Cabo Delgado ostentava o nome do antigo Ministro da Defesa Nacional, Atanásio Salvador Mtumuke. Mas agora já não. O nome desapareceu conforme apurou uma investigação que está a ser conduzida pelo Centro de Jornalismo Investigativo (CJI) a qual mostrávamos as provas irrefutáveis nesta matéria. Numa certa segunda- feira o nome do antigo ministro desaparecera da conta bancaria em causa no “segredo de Estado.”

“ Um suposto contrato classificado confidencial entre aquelas empresas multinacionais e os ministérios da Defesa e do Interior, tendo em vista a prestação de serviços de segurança para aquelas multinacionais em troca de compensações para os militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e polícias da Unidade de Intervenção Rápida, torna-se ainda mais suspeito senão mesmo controvertido o facto da mesma conta bancária do Banco Comercial e de Investimento (BCI).”

Mas o negócio da guerra já vinha sendo feito quando militares cobravam valores monetários para que transportadores pudessem incluir as suas viaturas em colunas militares na travessia do troco Macomia para Auassi, zona flagelada pelos terroristas.

Nyusi fala ao banco mundial

Semana finda Filipe Nyusi, falando em conversa com o Presidente do Banco Mundial, David Malpass garantiu que Insurgência não ameaça exploração de gás em Cabo Delgado assim como disse haver evidências de que estrangeiros estão a treinar os insurgentes que aterrorizam a província de Cabo Delgado

“Temos sinais de envolvimento, nesta ameaça terrorista, de estrangeiros que estão a recrutar e a treinar os jovens locais, e que também devem estar a equipá-los, porque nós não sabemos como é que eles conseguem equipamento”, afirmou.

Também congratulou as multinacionais envolvidas no desenvolvimento do projecto de gás natural liquefeito, nomeadamente a ExxonMobil e a Total às forças de defesa e segurança no terreno, que têm estado a conter os ataques terroristas, fazendo com que o projecto não esteja ameaçado.

Facto ‘e que enquanto o Presidente Filipe Jacinto Nyusi elogiava as mineradoras, os terroristas mais uma vez controlavam Mocímboa da Praia, vila pela terrorista tomada por quatro vezes onde içaram suas bandeiras, permaceram, passearam sua classe durante dias, distribuíram comida e avisaram a população para que se retirasse da vila “ aqui já não queremos ninguém. Quando voltarmos vamos matar a todos.” Mais alerta e o governo fez ouvidos de mercador.

Voltaram e tomaram não apenas a vila mas também o Porto de Mocímboa 

Não há espaço para “ Grace” como canta o músico Xavier Machiana – borboletas, flores, paz. Tudo e todos saíram aos tiros, muitas mortes de militares, civis, destruição total da vila ‘ ate o que antes tinha restado, desta vez limparam tudo”

“ No segundo ataque em Mocímboa da Praia eu vi brancos com barba grande, parece que são origem islâmica, com lenços na cabeça eram 3 homens e 1 mulher. Na segunda vez quando invadiram estavam numa mota de 4 rodas que era nossa (policia) e atras estava uma mulher branca que segurava uma bandeira, aquela que uma vez mostraram nas redes sociais quando disseram que já não queriam ver a bandeira da Frelimo, isso no aeródromo de Mocímboa da praia. Na terceira vez vimos também brancos que perecem os mesmos porque só tinha uma mulher estavam num tanque (blindado) que era nosso também, eles roubaram para circularem.

E agora em Mocímboa da praia os insurgentes entram de casa em casa a retirar aquelas pessoas que ainda não querem sair de la, eles entram, chamam as pessoas para fora e la as tais pessoas quando saem encontram alguns brancos que são os mesmos a informar a população para sair e abandonar a vila porque eles (insurgentes) já ocuparam toda Mocímboa e as respectivas casas da população. Agora já estão a vedar a entrada da vila de Mocímboa com rede (fence) para manter ou garantir mais restrição ao local.

Em Quissanga os insurgentes despediram a população pouca que la estava, dizendo que já estão a deixar aquele lugar (base) e que já estão a partir para uma missão em Mocímboa, eram muitos mas muitos mesmo desta vez que invadiram Mocímboa, trezentos e tal militares só voltaram quarenta. Dizem que houve confusão na informação onde os helicópteros chegaram a matar os militares a pensar que são os insurgentes.

Intervenção internacional

Apesar do ministro moçambicano do Interior, Amade Miquidade e da Defesa Jaime Neto terem recentemente anunciado a morte de 50 insurgentes em duas operações das Forças de Defesa e Segurança realizadas em Cabo Delgado, o governo reconhece que sozinho   não conseguira derrotar os terrorismos mesmo a que não seja abertamente “a situação contínua tensa, mas as Forças de Defesa e Segurança estão no terreno determinadas a não deixar que os terroristas ponham em causa a soberania nacional “O Estado tomará medidas para que que este problema não arraste para outras regiões” e, sobre a possibilidade de declaração do Estado de Sítio em Cabo Delgado, o ministro do Interior, Amade Miquidade, responde que isso está fora de questão. “O Estado ainda continua forte para combater”, disse  Amade  Miquidade numa conferencia de imprensa realizada no Centro Internacional de Conferência Joaquim Chissano, em Maputo.

Urge a intervenção dos países da região assim como outros nesta guerra. Moçambique precisa de travar o Jihadismo que pode ter a província de Cabo Delgado como ponto do terrorismo para os países da região

“O envolvimento de países vizinhos e da comunidade internacional na luta contra terroristas em Cabo Delgado havia sido defendido pelo chefe do comando norte-americano de Operações Especiais em África, Dagvin Anderson, realçando, no entanto, que a resposta aos ataques deve ser liderada por Moçambique.”

Antes o Secretário Assistente Tibor Nagy, do Centro Regional de Mídia da África do Departamento de Estado dos EUA, numa entrevista colectiva sobre a contínua guerra no Norte de Cabo Delgao em Moçambique mostrara preocupação situação “bastante preocupante”, crescida a partir de uma pequena região movimento para um movimento muito maior. ” Como exemplo, ele o comparou com o risco que o Boko Haram impõe na Nigéria. “O Boko Haram foi apenas um pequeno movimento e, devido à maneira como o governo nigeriano reagiu inicialmente, ele se tornou uma ameaça muito séria, não apenas para o nordeste da Nigéria, mas para os países vizinhos”. Este ano os terroristas tiveram um despedida apoteotica.

 

Propaganda

Sobre Cabo Delgado os terroristas vão publicitando os seus ataques através do boletim impresso al-Naba e/ou ISIS na tentativa de publicitar o seu alastramento para a zona da Africa Austral mas que segundo investigações não elementos, factos que ilustram ligação plena com ISS, AL-Qaed e outros grupos terroristas islâmicos fora de Moçambique.

 

COMMENTS

WORDPRESS: 0
en_USEnglish
pt_PTPortuguese en_USEnglish