Só 26% das crianças dos 0 aos 4 anos acedeu às consultas de saúde em 2020

Só 26% das crianças dos 0 aos 4 anos acedeu às consultas de saúde em 2020

Maria Eduarda, uma pequena menina de Santa Isabel, província de Maputo, nasceu prematura, aos 7 meses de gestação e com várias condições de saúde ra

Maria Eduarda, uma pequena menina de Santa Isabel, província de Maputo, nasceu prematura, aos 7 meses de gestação e com várias condições de saúde raras: cardiopatia, epilepsia e paralisia cerebral infantil. Três anos depois, a sua passagem pelas unidades sanitárias viu-se abruptamente interrompida. Essa é história de somente uma – de milhares de crianças – que não irá completar o plano de vacinação nacional por conta da Covid-19. Aos 18 meses, Maria, deveria fazer a vacina contra o sarampo e a rubéola, mas as medidas de confinamento, associadas ao medo da infecção e à perda do sustento do progenitor impediram os seus pais de procurar cuidados em outros lugares.

Quando anunciaram o primeiro caso de Covid-19 em Moçambique, no dia 22 de Fevereiro de 2020, circulares emitidas pelo MISAU suspenderam as campanhas de vacinação contra sarampo e rubéola, que deveria abranger mais de 12 milhões de crianças em todo país. O processo deveria decorrer em duas fases, sendo a primeira Abril (na zona Norte e na Zambézia) e a segunda de durante o mês de Maio para cobrir as restantes províncias da zona Centro e todas do Sul do país. Nunca antes Moçambique tinha atrasado no seu plano de imunização de crianças.

Uma medida que se vê reflectida, de acordo com a investigação do CJI, nos dados dos boletins estatísticos do MISAU que mostram que, dos 0 aos 4 anos, apenas 26% das crianças moçambicanas acedeu aos serviços de saúde para qualquer tipo de consulta.

A percentagem, por exemplo, de crianças que recebeu TARV nunca passou, desde que a pandemia chegou ao país, da barreira dos 64%. Maputo cidade, Maputo província e Cabo Delgado lideram o ranking do incumprimento de metas no que diz respeito .

Ao contrário de 2019, em que Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Sofala ficaram aquém das metas; em 2020 Maputo província e cidade só conseguiram vacinar completamente 70% e 78% das crianças com até 11 meses de vida. Refira-se que dos 0 aos 4 anos, em 2019, a capital do país cobriu 97% dos menores. O ano da pandemia é que mudou as regras dos jogo com 2% das crianças da província e 19% da cidade a serem atendidas nas unidades sanitárias.

A OMS, UNICEF advertiram, no ano passado, que os serviços de imunização de menores estava a ser obstáculos em 68 países e era provável que tal afectasse 80 milhões de menores de 1 ano nesses países. Moçambique, no entanto, refere que vacinou 87% dos menores de 11 meses.

Dos 129 países dos quais se dispunha de informação sobre os serviços de vacinação durante os meses de Março e Abril, mas da metade (em torno de 53%) comunicaram interrupções moderadas e graves ou uma suspensão total de programas de de imunização.

Quando Seth Berkley considerou alarmante e destacou que a magnitude do impacto da Covid-19, nos programas mundiais de vacinação, era algo inédito estava a antever os efeitos nefastos para crianças como Maria Eduarda.

“Os recentes modelos da Universidade de London  School & Tropical Medicine mostram que se tratamos de evitar o contágio detendo a imunização de rotina por cada morte se evite por coronavirus produzir-se-ão mais de 100 por enfermidades preveníveis”.

Uma fonte afecta ao MISAU referiu que a interrupção em Março dos serviços sistemáticos de imunização infantil é um facto sem precedentes desde que a época da guerra civil.

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